De Médico e de Louco

Este blogue serve o propósito de informar, assim como ajudar a esclarecer e desmistificar algumas das doenças mentais mais comuns. Estas são frequentemente vistas como entidades obscuras, mal compreendidas, estando tantas vezes na origem de discriminação e rejeição das pessoas afectadas. Muitos destes comportamentos de criticismo prendem-se com a falta de informação sobre a doença, promovendo isolamento e sensação de abandono por parte dos doentes, alimentando ainda mais a patologia. Frequentemente, a ausência de conhecimento leva a que o próprio paciente não saiba qual a melhor forma de se ajudar a si mesmo, que passos simples pode empreender, que recursos mobilizar, ou ainda como transmitir aos familiares e amigos o que se passa consigo e como ajudá-lo.

O blogue "de Médico e de Louco" não pretende substituir-se ao seu médico, mas ser um instrumento de informação e promotor de hábitos saudáveis. Consulte os temas do seu interesse, coloque questões ou tire dúvidas através de envio de um e-mail. Estas serão respondidas directamente ou através da referenciação a artigos já publicados no blogue. A sua confidencialidade será mantida. Faça parte activa do seu tratamento!


domingo, 8 de agosto de 2010

Depressão: Ajudar-se a si Próprio

O que pode começar a fazer desde já...


• Envolver-se em actividades ou exercício ligeiro. (Ir a um jogo de futebol, ao cinema, ou outras actividades nas quais costumava ter gosto)

• Estabelecer objectivos realistas para si próprio

• Dividir as tarefas significativas em tarefas mais pequenas e definir prioridades

• Evitar o isolamento, procurar a companhia de pessoas em quem confia

• Não espere sair da depressão de forma “súbita e mágica”; as melhorias são graduais e muitas vezes há que deixar-se ajudar por um especialista

• Adie decisões importantes, tais como mudanças nas relações amorosas ou no emprego, até que se sinta melhorado

• Lembre-se que os pensamentos positivos irão substituir os negativos à medida que for melhorando

• Não hesite em procurar ajuda especializada; a depressão é uma doença médica que pode e deve ser tratada!

10 comentários:

  1. Não querendo fazer auto-diagnósticos, reconheço-me em quase todos os sintomas que descreveu (noutro post) de depressão, desde há mais de 18 meses. Sei que devo procurar ajuda... mas junto de um psiquitra ou de um psicólogo?

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  2. Esqueci-me de referir que existe um historial de doença mental na família, nomeadamente no que refere à minha mãe e à minha avó materna. Não sei se isto é relevante na escolha entre psicólogo ou psiquiatra.
    Obrigada!

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  3. Júlia,

    A depressão é uma doença orgânica, com uma tradução específica a nível do metabolismo. Além disso, existem múltiplas causas de depressão, entre elas doenças médicas como patologia da tiróide ou o uso de determinados fármacos, entre outras. Desta forma, a avaliação inicial de um síndorme depressivo deverá sempre ser médica, para um correcto despiste de causas secundárias que possam ser tratadas e também para a instituição de uma eventual terapêutica farmacológica. Depois da avaliação inicial pelo Psiquiatra, este poderá recomendar, se for adequado, a intervenção de um psicólogo. Este poderá realizar uma psicoterapia nos casos em que for aplicável. A psicoterapia é um processo de comunicação entre terapeuta (psiquiatra ou psicólogo)e paciente e que visa a modificação de comportamentos, atitudes, pensamentos ou afectos, com a finalidade de melhorar a sua qualidade de vida. Frequentemente, é feito um acompanhamento misto, em que o Psiquiatra segue o doente do ponto de vista médico e farmacológico, e o psicólogo efectua o acompanhamento psicoterapêutico (este último não pressupõe o manejo de fármacos, que é uma competência médica). De uma forma simplificada, ao médico cabe diagnosticar a depressão e despistar eventuais causas biológicas para a mesma (solicitando exames complementares de diagnóstico, por exemplo); cabe-lhe também instituir uma eventual terapêutica medicamentosa. O Psiquiatra pode fazer o acompanhamento psicoterapêutico ou remetê-lo ao psicólogo; pode ainda solicitar ao Psicólogo alguns testes eventualmente necessários ao esclarecimento do diagnóstico.

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  4. Muito obrigada! A sua resposta é esclarecedora.
    Estou a gostar muito do blogue.

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  5. Viva Dra Rita.

    Tenho 38.
    Creio que sofro de esquizofrenia.
    Desde os tempos em que andava na primária que era visto como "anormal" pois não conseguia relacionar-me com os outros muidos como eles se relac. entre si.
    Naqueles anos eu não me apercebia que tinha doença.
    Para piorar a situação a minha condição deixava-me fisicamente debilitado (começava a tremer compulsivamnte e perdia as forças) nos momentos em que era confrontado pelos brutamontes da escola.
    Fui vitima de bullying várias vezes durante os primeiros anos do liceu pois não conseguia ripostar fisicamente. Apanhava mais sempre que respondia verbalmente.
    Aprendi a evitar os bullies sempre que podia: afastava-me, que era o mais fácil para mim de fazer; já manter a minha boca fechada era mais dificil para mim de evitar...ainda hoje ofendo frequentemente as pessoas mesmo sem me aperceber nesse momento, só me apercebendo disso momentos mais tarde mesmo quando os ofendidos não respondem...aqui é caso para dizer que o silencio é de ouro...
    Tive alcunha no liceu que sugeria que eu era bruto, labrego...enfim traumas que ficam.
    Desde os anos do liceu que me apercebi que as raparigas nada queriam comigo tudo devido ao meu problema.
    A nivel academico lá consegui tirar uma licenciatura em engenharia embora a minha doença me tenha provocado imensas dificuldades quer em perceber as matérias quer no próprio dia dos exames, pois não me despachava a responder às perguntas.
    Só consegui tirar a carta de condução aos 32...
    Muitas actividades praticas levam-me muito tempo a fazer o que levou a que me chamassem de atado.
    Nos últimos anos conheci algumas mulheres pela net só que elas rapidamente perdiam o interesse quando me conheciam pessoalmente.
    Tenho pais mas considero-me orfão: o meu pai sabe que eu tenho um problema só que ele tem outros interesses em mente, a minha mãe também sofre desta doença e ela é quase analfabeta.
    Enfim, actualmente continuo a ser só (a solidão tem-me tornado num individuo amargo) e para piorar não consigo emprego há já 2 anos.
    Obrigado por ter lido o meu testemunho.

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  6. Boa noite.

    Tambem me idêntifico com a maioria do que aqui se tem escrito.

    Queria aproveitar para sugerir uma maior troca de experiências, que creio, seria benéfica para os intervenientes, pois partilhamos muitas modos de pensar, agir, sentir, com os quais nos idêntificamos.

    Não sou psicóloga nem psiquiatra, mas do que tenho lido e já perguntei aos meus, uma outra terapia capaz de produzir bons resultados é a psicoterapia de grupo, mas infelizmente, creio que não existe nenhuma, ligada a depressões,psicoses, com assistência gratuita.
    Mas já agora gostaria que a Dra. Rita Navarro me confirmasse.

    Gostaria de formar um grupo desses e as pessoas que já aqui intervieram são um espelho do muito daquilo que sou...tenho 37 anos, tambem eu tirei muito a custo uma licenciatura e tambem me encontro desempregada só...e amarga...mas com esperança em me tornar mais doce no futuro.
    Dra. Rita, permita-me que utilize o seu blog, para deixar aqui o meu e-mail (sofiasophia@clix.pt)para que quem, como eu, esteja interessado em aprofundar mais estas vivências comuns e quem sabe ajudar a construir uma vida mais risonha.

    Obrigada.

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  7. Olá Drª Rita.....
    Sofro de depressão há pelo menos 10/11 anos tive uma fase muito boa durante a minha segunda gravidez, deixando inclusive toda a medicação, calmantes, venlafaxina entre outros, porque a gravidez não foi premeditada, simplesmente me esqueci de tomar a pílula durante uns dias quando me dei conta já tinha um novo ser dentro do meu ventre. Liguei ao psiquiatra que me consultava na altura, contei o que se estava a passar ao qual ele mesmo pelo telefone mandou deixar toda a medicação o que fiz de imediato, não foi muito fácil continuar a trabalhar e a tratar da casa, marido e filha mais velha sem a dita medicação milagrosa que nos deixa bem dispostas e com forças para tudo.....mas o certo é que consegui, ao fim de 24 semanas de gestação foi diagnosticado que o feto teria um problema grave a nível cerebral o qual poderia fazer com que a criança que estava para nascer tivesse cerca de 30% de paralisia cerebral, não foi nada fácil gerir como mão esta situação até porque me culpava imenso com o facto da medicação poder ser a causa do problema, sempre me foi dito que não ... mas a minha gravidez passou a ser seguida pelo departamento de genética e não pela obstetrícia.
    O meu marido estava em pânico, não sabíamos o que fazer o certo é que a determinada altura o problema deixou de existir, mas enquanto a boneca não nasceu a agonia era bastante, correu tudo lindamente era uma pelve, teve que ser cesariana, correu tudo bem, a bebé era perfeita e saudável.
    Consegui quando a bebe já tinha 4 meses ter alta do psiquiatra acto que me deixou muito feliz, a mim e a toda a família.
    Passados 2 anos do nascimento desta 2ª filhota comecei a sentir os mesmos sintomas de quando me foi diagnosticada a depressão, tendo recorrido novamente a o mesmo especialista que me medicou novamente, passado algum tempo não sei precisar quanto mudei de psiquiatra porque comecei a ser seguida pelo Hospital o que me ficava mais barato. Esta psiquiatra na 1ª consulta eu apenas estava a tomar cipralex, mal entrei no consultório parecia que o mundo tinha desabado na minha cabeça, chorei muito sem saber porquê, era uma tristeza interior, sem justificação....iniciei novamente a venlafaxina, lorenin, sedoxil porque entretanto fui dando conta que estava a fazer muita pressão nos maxilares a venlafaxina era em doses de 150mg 2 vezes ao dia, o lorenin 12.5mg também 2 vezes ao dia e o sedoxil 3comprimidos por dia, entretanto já reduzi para 1 dose de venlafaxina de 150mg e outra de 37.5mg, o lorenin passou para meio comprimido ao deitar e o sedoxil 2 por dia.
    Neste momento sinto uma vontade imensa de engravidar novamente mas com estes químicos tenho medo, preciso de os deixar, mas tenho receio, não sei como fazê-lo, também não sei se a gravidez é aconselhável ou não? Esclareça-me se puder....ajude-me

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  8. Boa tarde,
    chamo-me Andreia e tenho 27 anos, à 7 anos atrás tive uma depressão chegando mesmo a tentar o suicidio, desde então tomo antidepressivos, cheguei a tomar 8 a 10 comprimidos por dia, actualmente só tomo Venlafaxina 37.5mg (Efexor), no entanto não consigo largar este maldito medicamento, pois quando me esqueço de o tomar fico com vómitos, nauseas, dores de cabeça, dores musculares e quebra de tensão. Tenho visto muitas declarações para reduzir a dosagem aos poucos, acontece que esta já é a dosagem mais baixa, mas como vem em capsulas não consigo abrir e reduzir a dose. Será que não existe nenhum medicamento que atenue os efeitos secundários do desmame deste medicamento?
    é que estava a pensar em engravidar, mas para isso tenho de largar a "droga" desta medicação. Obrigado

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  9. olá Dra Rita !

    Na sequência de vários acontecimentos, atravesso um período já longo de exaustão. Começei a entrar numa ligeira depressão. Consegui com medicação natural 5 HTP travar a mesma, ao que parece. O meu caso não necessita de químicos fortes. Já tive um caso há 12 anos e para parar a medicação vêmo-nos aflitos. Os médicos não deixam....agora vem a primavera dps o outono. Resta-me um problema: dormir. Tomava OLCADIL, mas o m/ organismo já não estava a reagir. Fiz um mês de Keynever (medicamento que já tomei diariamente há anos, durante 2 anos talvez). Neste momento tomo SEDOXIL há um mês e meio, mas não tenho um sono repousado. Acordo mtas vezes e cedo.
    Qual o mais indicado para mim ?
    Dormir e combater a ansiedade.
    Obrigada desde já

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  10. Gostaria de alertar para o facto destes medicamentos indutores do sono não deverem ser tomados durante longos períodos.No máximo poderão ser tomados durante algumas semanas, na maioria das circunstâncias. De facto, o olcadil, o sedoxil e o kainever são compostos da família das benzodiazepinas e podem causar dependência e habituação, fazendo muitas vezes com que o utilizador não consiga dormir sem esse medicamento ou precise mesmo de aumentar a sua dose à medida que o tempo passa.
    Existem outros fármacos sem este tipo de efeitos e que podem ser mais adequados. Como sempre, isso dependerá da pessoa e da situação, porque a prescrição deve ser sempre individualizada.
    Relativamente aos medicamentos indutores do sono, para uma correcta prescrição é muito importante saber várias coisas, entre elas: se a insónia é primária ou se resulta de outra patologia (depressão, ansiedade, causas orgânicas, etc.), se a pessoa sofre de outras doenças ou faz outros medicamentos que possam ter contra-indicações ou uma interferência nefasta.
    Por isso não existe uma receita universal, havendo fármacos mais adequados do que outros, conforme a situação.
    Relembro ainda que, por vezes,algumas medidas simples podem ajudar, antes de recorrer à medicação, como:
    - Ter um quarto sossegado, com temperatura adequada e colchão confortável
    - Praticar exercício de forma regular, mas nunca perto da hora de dormir
    - Relaxar cerca de 1 hora antes do deitar (leituras leves, música suave, evitar esforços mentais ou físicos)
    - Reduzir a luminosidade em casa 2 horas antes de dormir (desligar luzes, evitar computador)
    - Apanhar luz solar logo pela manhã
    - Evitar estimulantes como álcool, café, chá ou tabaco próximo da hora de dormir
    - Evitar refeições pesadas ao fim do dia.
    Se tal não for suficiente, consulte o seu médico. Não caia na tentação de tomar medicamentos auto-prescritos, pois os danos podem ser piores do que o sintomas que está a tentar tratar.

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