De Médico e de Louco

Este blogue serve o propósito de informar, assim como ajudar a esclarecer e desmistificar algumas das doenças mentais mais comuns. Estas são frequentemente vistas como entidades obscuras, mal compreendidas, estando tantas vezes na origem de discriminação e rejeição das pessoas afectadas. Muitos destes comportamentos de criticismo prendem-se com a falta de informação sobre a doença, promovendo isolamento e sensação de abandono por parte dos doentes, alimentando ainda mais a patologia. Frequentemente, a ausência de conhecimento leva a que o próprio paciente não saiba qual a melhor forma de se ajudar a si mesmo, que passos simples pode empreender, que recursos mobilizar, ou ainda como transmitir aos familiares e amigos o que se passa consigo e como ajudá-lo.







O blogue "de Médico e de Louco" não pretende substituir-se ao seu médico, mas ser um instrumento de informação e promotor de hábitos saudáveis. Consulte os temas do seu interesse, coloque questões ou tire dúvidas através de envio de um e-mail. Estas serão respondidas directamente ou através da referenciação a artigos já publicados no blogue. A sua confidencialidade será mantida. Faça parte activa do seu tratamento!


Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2013

Causas de Depressão

Muitas causas têm sido apontadas para a origem da depressão.
Na realidade esta doença resulta frequentemente de uma conjugação de factores que, associados, permitem a eclosão dos sintomas depressivos.
Os principais factores estudados até agora são os seguintes:
  • Hereditariedade:  um factor crucial e não modificável, que é a propensão genética para a depressão, que faz com o organismo seja, em termos biológicos, mais vulnerável à doença. A depressão é mais comum em pessoas com história familiar de depressão. Os genes concretos ainda não foram determinados e estão a ser investigados.

  • Alterações hormonais: mudanças no equilíbrio hormonal podem estar associadas a uma maior incidência de depressão. Essas alterações podem ser causadas por problemas na tireóide, alterações hormonais do pós-parto e pré-menstruais, entre outras. Alterações hormonais podem também ser consequência, e não causa, da depressão, como as conhecidas alterações no cortisol plasmático.

  • Acontecimentos da vida:  a perda de um ente querido, o desemprego, problemas financeiros ou doença física, entre outros, podem despoletar um episódio depressivo.

  • Traumas precoces: eventos traumáticos durante a infância (sobretudo antes dos 11 anos de idade), como  perda de um progenitor ou abuso físico, podem causar alterações neuroquímicas que vão fragilizar o indivíduo e predispô-lo à depressão mais tarde.
Agora pode compreender melhor alguns factores que favorecem a depressão e, eventualmente, tentar contornar alguns destes problemas.

Sexta-feira, 21 de Dezembro de 2012

Ano Novo, Vida Nova

Com a chegada no novo ano, costuma ser altura de resoluções e planos de mudança ... A maioria das pessoas toma decisões que envolvem hábitos de vida prejudiciais, tais como deixar de fumar, passar a fazer exercício, parar de beber ou outras atitudes semelhantes. Quase metade da população toma algum tipo de resolução por altura do Ano Novo! No entanto, algumas estatísticas têm demonstrado que 25% das pessoas terá falhado na manutenção dessa resolução ao final da primeira semana, enquanto cerca de 40% terão falhado ao final do primeiro mês... Aqueles que não conseguem manter estas determinações vão frequentemente sentir-se desvalorizados, culpados ou deprimidos. Porém, existem algumas formas de prevenir esta situação, nomeadamente tendo em consideração os seguintes aspectos, para uma tomada de decisão mais realista:

Preparação: É importante perguntar-se se está realmente preparado para a mudança. Tomar uma decisão de mudar apenas porque alguém o sugeriu pode ser um erro

Tempo: As mudanças comportamentais exigem preparação, reflexão e auto-controlo; decisões impulsivas e tomadas de um dia para o outro podem mais facilmente não ser brindadas com sucesso.

Oportunidade: se está demasiado ocupado a resolver outros problemas na sua vida, talvez não seja a melhor altura para se propôr a mudar; em vez disso, marque uma data mais para a frente, que lhe permita ter tempo para resolver as outras situações.

Ser realista: é importante fixar objectivos realistas; propôr-se a coisas impossíveis conduz quase inevitavelmente ao falhanço. Em vez de “vou à ginástica 4x/semana”, pensar “vou tentar andar 30 minutos todos os dias”.

Ser específico: uma vez fixado o objectivo, convém não ser vago: em vez de “vou começar a fazer ginástica” ou “vou fazer uma dieta equilibrada”, estabelecer que “vou tentar ir 3x/semana ao ginásio” ou “vou comer apenas um doce por semana”.

Recompensa: monitorize os seus progressos e conceda uma recompensa a si próprio sempre que cumprir um dos objectivos. O reforço positivo a curto prazo é a chave para as mudanças de comportamento!

Não desista logo: o processo das mudanças comportamentais é por vezes demorado e nem sempre funciona à primeira; se falhar uma vez, reserve mais algumas tentativas antes de pôr a ideia de parte.

Não catastrofize: se falhou, pode recomeçar amanhã. Esqueça o “perdido por cem, perdido por mil” e recomece a partir do que já construíu. Um deslize não é o fim do processo.

Positividade: mantenha-se positivo e evite conceder-se ultimatos.



Quarta-feira, 23 de Maio de 2012

Perturbações da Personalidade


Personalidade é o conjunto de características psicológicas que determinam os padrões duradouros de comportamento, emoções e pensamento da pessoa, e que se traduz na sua individualidade pessoal e social. Toda a gente tende a confrontar-se com situações adversas com um estilo próprio e relativamente previsível. Por exemplo, algumas pessoas tendem a responder a uma situação problemática pedindo apoio. Outras tendem a lidar com os problemas por si próprias. Tal pode tornar-se problemático se esse padrão de comportamento trouxer sofrimento ao próprio e aos que o rodeiam.
As perturbações da personalidade referem-se a tipos de comportamento desadaptativos característicos que expressam maneiras da pessoa viver e de estabelecer relações consigo mesma e com os outros. São distúrbios das tendências comportamentais e não estão propriamente relacionados com nenhum tipo de doença, seja ela orgânica ou psiquiátrica.
Habitualmente as perturbações da personalidade são acompanhadas de sofrimento e de compromisso do rendimento global da pessoa. Aparecem precocemente durante o desenvolvimento individual sob a influência de múltiplos fatores de ordem genética, social ou existencial.

Sexta-feira, 27 de Abril de 2012

Insónia (Parte I)


A insónia consiste na baixa qualidade ou insuficiência do sono, caracterizando-se por um ou mais destes elementos: dificuldade em adormecer, dificuldade em manter o sono, despertar precoce e sono não reparador. Repercute-se no dia-a-dia com cansaço, falta de energia, dificuldades de concentração e irritabilidade. A ausência total de sono é raríssima, e os poucos casos descritos estão associados a síndromes neurológicos complexos. Os problemas do sono são extraordinariamete frequentes, chegando a atingir cerca de 1/3 da população geral nalguns estudos. Sabe-se que é mais frequente em mulheres, idosos e pessoas com patologia psiquiátrica.

A insónia é quase sempre um sintoma, e não um diagnóstico em si. Deve apurar-se a sua causa para um tratamento dirigido à mesma.   Quando adequadamente tratada, as taxas de sucesso para eliminação da isónia são muito favoráveis.

Quarta-feira, 30 de Novembro de 2011

Indutores do Sono

Recebo frequentemente perguntas sobre medicamentos para induzir o sono e gostaria de alertar para o facto de que muitos destes medicamentos não devem ser tomados durante longos períodos. No máximo poderão ser tomados durante algumas semanas, na maioria das circunstâncias. De facto, muitas pessoas adquirem na farmácia, ou de familiares/amigos, compostos que não são adequados à sua situação. Frequentemente são compostos da família das benzodiazepinas e podem causar dependência e habituação, fazendo muitas vezes com que o utilizador não consiga dormir sem esse medicamento ou precise mesmo de aumentar a sua dose à medida que o tempo passa.

Existem outros fármacos sem este tipo de efeitos e que podem ser mais adequados. Como sempre, isso dependerá da pessoa e da situação, porque a prescrição deve ser sempre individualizada.
Relativamente aos medicamentos indutores do sono, para uma correcta prescrição é muito importante saber várias coisas, entre elas: se a insónia é primária ou se resulta de outra patologia (depressão, ansiedade, causas orgânicas, etc.), se a pessoa sofre de outras doenças ou faz outros medicamentos que possam ter contra-indicações ou uma interferência nefasta.
Por isso não existe uma receita universal, havendo fármacos mais adequados do que outros, conforme a situação.

Relembro ainda que, por vezes,algumas medidas simples podem ajudar, antes de recorrer à medicação, como:

- Ter um quarto sossegado, com temperatura adequada e colchão confortável
- Praticar exercício de forma regular, mas nunca perto da hora de dormir
- Relaxar cerca de 1 hora antes do deitar (leituras leves, música suave, evitar esforços mentais ou físicos)
- Reduzir a luminosidade em casa 2 horas antes de dormir (desligar luzes, evitar computador)
- Apanhar luz solar logo pela manhã
- Evitar estimulantes como álcool, café, chá ou tabaco próximo da hora de dormir
- Evitar refeições pesadas ao fim do dia.

Se tal não for suficiente, consulte o seu médico.
Não caia na tentação de tomar medicamentos auto-prescritos, pois os danos podem ser piores do que o sintomas que está a tentar tratar.

Sábado, 24 de Setembro de 2011

Perturbação de Ansiedade Social


A Perturbação de Ansiedade Social (PAS) ou Fobia Social é uma patologia que pertence ao grupo das peturbações da ansiedade. Manifesta-se em situações sociais e caracteriza-se por medo excessivo de embaraço, humilhação, ou avaliação negativa por parte dos outros, sendo potencialmente incapacitante. Tal pode incluir medo de falar em público, mas também situações da vida diária. O medo pode começar semanas ou meses antes do evento receado e ser intenso ao ponto de provocar a eviccção escolar ou do trabalho.

Pensa-se que a etiologia, à semelhança de muitas das patologia psiquiátricas, é multifactorial, incluindo causas genéticas e outras, que podem incluir a hiperprotecção ou a rejeição parental. A PAS pode ter um início insidioso ou estar associada a um evento desencadeante.  A idade média de início situa-se entre os 11 e os 19 anos, com dois picos de ocorrência cerca dos 11-15 e 18-25 anos. É mais frequente nas mulheres e sabe-se que as pessoas afectadas apresentam nível de funcionamento social e ocupacional inferior à média, pelo que o seu tratamento se reveste de maior importância.

Terça-feira, 5 de Abril de 2011

Ansiedade Normal ou Patológica?

A ansiedade é uma reacção normal a estímulos ameaçadores, tendo por objectivo a adaptação a situações adversas. Já todas as pessoas experimentaram stress perante uma prova, uma apresentação no trabalho ou um conflito com um colega. No entanto, há situações em que a ansiedade pode ser patológica, ultrapassando os limites do que pode ser uma reacção adaptativa. Quando a ansiedade não é proporcional ao estímulo que a desencadeia, ou quando é persistente ou faz reviver experiências passadas desagradáveis, devemos ficar alerta. Do mesmo modo, quando esta interfere com a nossa liberdade e prejudica o rendimento laboral ou os relacionamentos, poderemos estar perante uma ansiedade patológica. A média de duração das perturbações ansiosas até o paciente recorrer à consulta é de cerca de 5 anos. Existindo tratamentos eficazes e acessíveis, parece desnecessário permanecer em sofrimento durante tanto tempo. Se se vir confrontado com este problema, não hesite em recorrer ao seu médico.